segunda-feira, 7 de junho de 2010

Em clima de Copa do Mundo...


Embora eu não seja muito ligada em futebol, o assunto é inevitável... diria mais, nesta época, previsível e aguardado...

Confesso que eu assisti a alguns vídeos publicitários tendo a copa como tema central, mas nenhum chamou muito minha atenção. Mas uma coisa interessante que pude observar, é que, de modo geral, há uma tendência comum aos vídeos em apresentar uma ideia de união, e homogeneidade acerca do povo brasileiro quando o assunto é "torcer pelo Brasil"... isso pode parecer louvável, mas se observarmos com atenção, soa como crítica aos olhos mais apurados.

Em um país com tantos problemas, como é o nosso, a preocupação excessiva com futebol soa praticamente como um factóide. E talvez o seja... Enquanto o povo se preocupa em enfeitar as ruas, comprar bandeirinhas e as famigeradas "vuvuzelas", se estapear nos camelôs disputando as camisetas de Kaká e Robinho, e criticar ao ponto da exaustão a escalação feita por Dunga, "a zona corre solta no congresso" como diria Bruno Gouvêa e a turma do Biquíni... decisões importantes, ou nem tanto, considerando que não são em prol do próprio povo, são tomadas, candidaturas são decididas nas sedes de partidos e claro, as redes de televisão travam verdadeiros combates "sangrentos", pra ver quem dá a notícia primeiro, quem vai passar a "entrevista exclusiva" mais esperada, quem mandou a maior equipe de profissionais pra África do Sul, tudo com o intuito de ter um índice de ibope mais alto que o da concorrente...

Acho que meu probleminha de Déficit de Atenção deu as caras e eu acabei desviando um bocado do foco, que é a publicidade...

Enfim... a propaganda mais interessante que vi nos últimos tempos, nesse sentido de usar o futebol como ponto de homogeneização cultural é uma campanha do Banco Itaú... embora ultimamente suas campanhas publicitárias tenham apelado tediosamente para o espírito tecnológico, com o "trocadilho" de fazer uma "@" substituindo o "a" central por "i", desta vez a abordagem me surpreendeu.

Trata-se deste vídeo: (O Vídeo foi retirado do Blog por causa do ECAD FDP, que não tem o q fazer... e cobra direito autoral sem repassar aos autores, de fato...)



A idéia central do futebol proporcionando a união é perfeitamente compreensível para qualquer pessoa que assista com o mínimo de atenção à propaganda. No entanto, a peça publicitária traz um contexto histórico delicadíssimo, que é a conturbada relação entre Judeus e Palestinos no Oriente Próximo, relação na qual, nosso "amado" presidente insiste em se meter. Como historiadora, ouso dizer que nem os próprios idealizadores da campanha compreendem esse contexto histórico.

A questão territorial que estremece a relação de Palestinos e Judeus é, sem dúvidas, umas das questões internacionais mais difíceis de resolver, isto porque, não há um lado certo e outro errado nesta história. Este é um problema em que, histórica-culturalmente falando, há dois lados certos. Não digo que a forma como tentam se impor, uns e outros, estejam certa. Digo que, motivos válidos para se julgarem "os donos do território" ambos tenham, e esta questão vai além de nossa compreensão, porque tem raízes culturais e religiosas. E nós, ocidentais, temos a mania errada e ridícula de julgar ao mundo por nossos princípios.

Os Judeus se sentem no direito de ocupar a área por terem recebido esse território do próprio Deus, estando todos os limites da área muito bem demarcados no quarto livro da Torah (o livro dos Números, do Antigo Testamento da Bíblia Cristã). O pequeno problema encontrado pelos judeus, também descrito na Torah (e no Antigo Testamento) é que a área já estava ocupada por outros povos. Além disso, os Judeus passaram por duas Diásporas (721 a.C. e 70 d.C.) e foram vítimas de verdadeiro genocídio, mais conhecido pelo termo judaico "Holocausto". A 2ª diáspora termina oficialmente apenas em 1948, após a 2ª Guerra Mundial, com a criação do Estado de Israel.

É na criação do Estado de Israel que o problema Palestino começa. A área demarcada para ser o território do novo estado, era uma área de ocupação Palestina, desde meados do século II d.C.. Os Palestinos viram, "da noite para o dia", por uma determinação da ONU, seu território ser reduzido a menos de 50% do original.

Desde então, a situação entre Judeus e Palestinos é bastante tensa e difícil. Inúmeros Tratados de Paz foram firmados, sendo o mais famoso o de 1993, entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, intermediados pelo presidente norte-americano na época, Bill Clinton. (Estaria Lula tentando ser o "Bill Clinton" dos anos 2000?!)

Assim como promessas de políticos em campanha, estes Tratados de Paz nunca são respeitados, e, ainda hoje, a tensão toma conta do Oriente Próximo, constantemente abalado pelas demonstrações de poderio bélico por ambos os lados.


Se vocês puderem, digam-me: "Quem está certo e quem está errado nesta história (agora que você conhece, ainda que de maneira superficial, o contexto desse conflito)”?



Finalizando com um comentário sobre o vídeo... SERIA REALMENTE MUITO BOM SE UMA BOLA E UMA "CAMISETA AMARELA" TIVESSEM ESSE PODER DE UNIR CULTURAS TÃO DISTINTAS. Mas... como isso é possível se, justamente por causa deste esporte tão "brasileiro", e sem nenhum motivo cultural relevante, torcidas se digladiam, causam terror nas ruas e chegam a "provocar" mortes?!


De qualquer forma, é inevitável notar que (como cantaram Os Seminovos) "brasileiro só tem muito orgulho e muito amor quando chega a Copa..."


Saudações...

Espero q tenham gostado do post.

Um comentário:

  1. Vamos ao comentário novamente.

    A função da Publicidade é trabalhar em cima de sonhos, fantasias. Usada de forma correta ela mais emociona do que engana. Aliás, se forçar a barra e enganar demais, gera graves problemas para o anunciante. E isso não é bom para a marca.

    No caso desse VT, trabalhou-se mais uma vez com essa ideia do sonho. E qual seria o sonho? A paz. E o intermédio? O futebol. Se é possível que o futebol solucione conflitos antigos, isso não posso dizer. Mas, às vezes tenta.

    Um caso real: em 1998 na Copa da França, antes da partida entre Irã e EUA. Temia-se um conflito, mas o que o mundo presenciou foi troca de flores e até pose para as fotos com as duas seleções unidas. Pacificou a situação? Bom, talvez por 90 minutos.

    Mas, como você bem enfatizou: tratados de paz nunca são respeitados e pior ainda é gente que não tem nada a ver, querer se meter na história. Como nosso "companheiro" presidente.

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