Em tempos de globalização e o crescente acesso aos meios de comunicação em rede, as relações interpessoais reais estão ficando cada vez mais raras. O efeito q isso proporciona é o surgimento de uma população de anti-sociais, que possuem mais ‘amigos’ nas redes sociais como Orkut e Facebook, e, efetivamente, estabelecem maior contato com esses amigos virtuais que com pessoas de carne e osso.
Reconheço que me encontro em meio a essa população anti-social... na verdade esta já era uma característica de minha personalidade antes mesmo de me tornar uma internauta compulsiva.
Sempre fui uma guria de poucos amigos. Nunca fui muito dada a festas. Não bebo, e nunca via a menor graça nisso. Entre amigos, em situações e locais onde eu me sinta ‘bem recebida’, eu me divirto... não preciso beber nem ser ‘igual a todo mundo’ pra me divertir ou ser ‘aceita’. No entanto, quando o ambiente não é ‘favorável’, prefiro ficar na minha, quieta, interagindo apenas com quem eu tenha alguma proximidade.
Não sendo o ambiente favorável, onde eu me senta um tanto quanto ‘solitária’, a última coisa que eu faria seria levantar e dançar.
Quando eu praticava Dança Árabe, embora houvesse uma preparação de meses para a apresentação anual, com árduos ensaios e um sério trabalho psicológico, coordenados pela “Tia Lú”, toda a confiança conquistada nos ensaios desapareciam no momento exato de pisar no palco.
Imaginem então, se eu estivesse sentada dentre os espectadores, sem qualquer tipo de preparação, quando uma das bailarinas tentasse me arrancar à força da poltrona e me jogar em meio ao palco, com a simples desculpa de tentar promover uma SOCIALIZAÇÃO.
Foi assim que me senti hoje... depois de uma sexta-feira loucamente movimentada, e um sábado inteiro, e conturbado, de aula na pós graduação, com o corpo pedindo “pelo amor de Deus, chega em casa e vai dormir, sua louca!”, resolvo cumprir a minha social na ‘comemoração do Dia dos Professores’ da escola onde trabalho. Fui porque havia me comprometido a estar presente.
Antes não tivesse ido, e me passado por ‘furona’, que passar o que passei.
Tenho profundo respeito pelas pessoas, por suas idiossincrasias e personalidades, tento ao máximo não criar circunstâncias que as exponha ou constranja. Isso pra mim significa ter ‘bom senso’.
Infelizmente não fui tratada com esse mesmo bom senso.
Enquanto os colegas que dividiam a mesa comigo me estimulavam a levantar e ir dançar, não me incomodei, apenas sorria e respondia que não estava afim. Mas, me senti agredida ao ter o braço puxado por uma ‘colega de trabalho’ que tentava me levar para ‘pista de dança’. Não pelo ato físico, do puxão no braço, mas por ter a minha opinião e vontade completamente ignorada, desrespeitada, para que fizesse parte de uma situação em que provavelmente iriam RIR DA MINHA CARA.
NÃO SEI DANÇAR. NÃO GOSTO DE DANÇAR (nada além de música árabe, cujo ritmo tem o poder mágico de invadir minhas entranhas e fazer meu corpo dançar quase de forma inconsciente). ODEIO AINDA MAIS SER EXPOSTA A UMA SITUAÇÃO CONTRA A MINHA VONTADE.
Mais tarde, essa mesma colega me puxou novamente pelo braço, mas desta vez para pedir que eu não ficasse brava pelo ocorrido anteriormente. Perguntou (em tom de ironia, porque eu não acredito que ela realmente quisesse saber sobre) qual era o meu tipo de música preferido, para que pudessem tocá-lo, para eu me divertir também; e terminou sua fala com um conselho: “Não esquece que o social é muito importante!”
Seria a SOCIABILIDADE uma justificativa para ferir o espaço individual do outro?
Seria a SOCIABILIDADE um motivo para agir contra seus princípios, vontades e opiniões, apenas para ‘se entrosar melhor’ em um determinado grupo?
Seria válido o ‘entrosamento’ em ‘x’ grupo, apenas com a finalidade de ‘conseguir um lugar ao sol’, não por mérito próprio, apenas por estar ao lado deles?
Eu não acredito que seja... e me decepciono com aqueles que pensam que sim (embora a esses, minha opinião provavelmente valha nada), pois, no meu conceito, estas são pessoas sem caráter e opinião próprios.
Não tenho a menor paciência pra pessoas que confundem SOCIABILIDADE com SER MARIA VAI COM AS OUTRAS...
P.S.: Por mais que não seja o meu ator/roteirista preferido, Bruno Mazzeo tem razão: Festa de confraternização do trabalho É A MAIOR CILADA!!!
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