quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Um dia feliz... algo cada vez mais raro...

Vida tumultuada ultimamente... correria com o fechamento do ano na escola... clima tenso em casa... algumas perdas pessoais... e eis que finalmente algo bom aconteceu...

Nessa cidade 'paradisíaca' em que moro, nunca acontece nada de interessante... digamos, quase nunca, porque ONTEM ACONTECEU... Show d'O Teatro Mágico...

Há cerca de dois anos, a trupe já havia se apresentado na cidade, mas eu não pude ir ao show, por dois motivos funcionais: custo e localização... Fiquei com isso engasgado e o sentimento de 'sobra tanta falta' permaneceu até que me noticiaram a realização do show neste 07/Dezembro/2010...

Sem dúvida, eis um dia que estará sempre marcado como um dos melhores da minha vida, e... depois de tantas tormentas e coisas ruins acontecendo comigo, eu merecia uma compensação... que não poderia ter sido melhor...

Pra começar, a companhia... Rhafa, Denise e Jeovane (que apesar de seus momentos 'nômade', passou a maior parte do show conosco) foram ótimos companheiros de show... engraçado pensar que Rhafa e Denise não conheciam ABSOLUTAMENTE NADA sobre a trupe, e o Jeovane estava familiarizado apenas com as músicas do primeiro cd, o "Entrada para Raros"... de qualquer forma, curtimos muito, mesmo tendo passado um susto com a briga do 'noiado' de camiseta amarela e boné (combinação que, a partir disso, me fará sair correndo em qualquer que seja a situação)... e eu saí de lá muito leve, feliz e AFÔNICA... quem me viu na última semana, se me visse ontem saindo do show (que é nada mais que um grande sarau) não reconheceria em mim a mesma pessoa...
Além disso, foi engraçado ver pirralhos desesperados por algum 'adulto' que lhes assinasse a autorização/termo de responsabilidade para que pudessem entrar... digo que foi engraçado porque sei que a maioria daquelas crianças ali não estavam interessadas no belo espetáculo de música, poesia e arte circense que ocorreria... estavam, sim, interessados em status: quem encontrariam, quantos beijariam... queriam parecer descolados... por isso, duvido que a maioria deles tenha percebido a grandiosidade do espetáculo que a Trupe nos garantiu...
Outro fator adicional foi o re/encontro... tive a oportunidade de encontrar amigos, alguns que não via há tempos... recebi abraços, e isso me fez tão bem... só acho que a namorada de um amigo não gostou muito... mas é de praxe... nenhuma namorada de nenhum amigo meu vai com a minha cara... rsrs... CES'T LA VIE!

Enfim... naquelas quase duas horas de show, minha vida virou música... nada importava... minhas dores, meus problemas... tudo ficou pra trás...
O ápice da festa pra mim foi ouvir "O Mérito e o Monstro"... minha música preferida d'O TM nos últimos tempos: "Pra dilatarmos a alma, temos que nos desfazer... Pra nos tornarmos imortais, a gente tem que aprender a morrer... Com tudo aquilo que fomos e tudo aquilo que somos nós"...

Outros dois grandes momentos da noite ficaram por conta da recitação das poesias "Amadurecência", abertura do espetáculo, e "Sintaxe à Vontade"... mas no geral, cada uma das músicas tinha uma mensagem pra mim... por menor que fosse o detalhe, em algo me tocavam...

Pra finalizar, sem finalizar... vou deixar algumas citações interessantes d'O TM pra vcs...

***

Amadurecência

A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom...
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada...
Inquilina de todos os nossos riscos...
A juventude plena e sem planos... se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia nunca não passar,
?O ser vil que passou pra servir...
Pra discernir...?
Harmonizar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Nunca dever ao devir
Nunca deixar de ouvir...
com outros olhos!

*

Sintaxe À Vontade

Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós
Toda resposta e dúvida
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a frase, nem a crase
Nem a vírgula e ponto final
Afinal, a má gramática da vida
Nos põe entre pausas
Entre vírgulas
E estar entre vírgulas
Pode ser aposto
E eu aposto o oposto
Que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua visão
Sua pressa e sua prece
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para a nossa oração
Adjuntos ou separados
Nominais ou não
Façamos parte do contexto
Sejamos todas as capas de edição especial
Mas, porém, contudo, todavia
Sejamos também a contracapa
Porque ser a capa e ser contracapa
É a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar-se a si mesmo
É muitas vezes encontrar-se com Deus
Com o teu Deus
Senhoras e Senhores
Que nesse momento em que cada um se encontra agora
Um possa se encontrar ao outro
E o outro no um
Até por que
Tem horas que a gente se pergunta...
Porque é que não se junta tudo numa coisa só?

*

De ontem em diante

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem...

*

"Da luta não me retiro, me atiro do alto e que me atirem no peito, da luta não me retiro"

*

"Viva a tua maneira, Não perca a estribeira, Saiba do teu valor"

*

"Se agregar não é segregar... Dispensar não é não pensar... Esquecer não é perdoar... Se consagrou sangra agora..."

*

"Não acomodar com o que incomoda..."

*

"Abraçando a dor, é assim que eu vou... abaçaiado"

*

"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!"

*

"Os olhos mentem dia e noite a dor da gente.(...) Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia o verbo a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto... depende de como você vê!"

P.S.: Esse último trecho é da música "O Anjo mais Velho"... última música tocada na noite... um belo encerramento marcado pela interatividade trupe-público, que imperou durante todo o espetáculo...

P.S.2: Confesso, está muito difícil decidir qual foi o melhor show da minha vida, por enquanto, fico com a opção mais segura: empatados no topo do pódio os shows de Engenheiros do Hawaii e O Teatro Mágico...

P.S.3: Anitelli matou a pau dançando e cantando Michael Jackson e no pout-pourri que antecedeu 'O anjo mais velho'... ápice: Pluct-plact-zummm... kkk

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